Domingo, 31 de Agosto de 2025
A família de Luis Fernando Verissimo, que morreu neste sábado (30) aos 88 anos, informou que o velório do escritor será realizado no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no centro de Porto Alegre, a partir do meio-dia.
Verissimo morreu na capital gaúcha, após complicações causadas por um caso grave de pneumonia. Políticos e artistas lamentaram a morte do escritor, um dos mais populares da história do país. Ainda não há informações oficiais sobre o sepultamento.
Em postagem nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou a relevância do romancista, que trilhou trajetória como um dos maiores cronistas do país.
"Dono de múltiplos talentos, cultivou inúmeros leitores em todo o Brasil com suas crônicas, contos, quadrinhos e romances. Criou personagens inesquecíveis, a exemplo do Analista de Bagé, As Cobras e Ed Mort. Sua descrição bem-humorada da sociedade ganhou espaço nas livrarias e na TV, com a Comédia da Vida Privada. E, como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura, o autoritarismo e defender a democracia. Eu e Janja deixamos o nosso carinho e solidariedade à viúva Lúcia Veríssimo – e a todos os seus familiares", afirmou Lula.
"Uma lágrima e muitas salvas, Mestre Luís Fernando Veríssimo!", escreveu o escritor Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado, nas redes sociais.
O dramaturgo e escritor Walcyr Carrasco também expressou admiração por Veríssimo.
"Perdemos um dos grandes da nossa literatura. Luís Fernando Veríssimo foi o cronista da vida simples, das emoções humanas mais verdadeiras, do cotidiano que só ele sabia transformar em obra. Um gigante que fez da simplicidade a sua genialidade. Descanse em paz!!", destacou Carrasco.
Verissimo deixa a esposa Lúcia Helena Massa e três filhos: Pedro, Fernanda e Mariana Verissimo. Ele tinha mal de Parkinson, problemas cardíacos e sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2021. Um ano depois, recebeu um marca-passo.
Filho do escritor Érico Verissimo, Luís Fernando publicou mais de 80 títulos, entre eles As Mentiras que os Homens Contam, O Popular: Crônicas ou Coisa Parecida, A Grande Mulher Nua e Ed Mort e Outras Histórias.
Foram as crônicas e os contos que o tornaram um dos escritores contemporâneos mais populares no país. O Analista de Bagé, lançado em 1981, teve a primeira edição esgotada em uma semana.
O escritor construiu uma trajetória profissional rica, com atuação em diferentes áreas e produção em vários formatos. Trabalhou como cartunista, tradutor, roteirista, publicitário, revisor, dramaturgo e romancista. Sua obra é marcada pelo bom humor, assertividade e crítica. Além das palavras, foi um amante da música, dedicado ao saxofone.